"Há respeito. Mas não medo do Brasil. Estaremos confiantes"

Técnico da Bolívia, em exclusiva, mostra que os tempos são outros. E deixa claro preferir o futebol solidário de Zico ao individualismo de Neymar

Conseguir uma resposta exclusiva de Tite foi impossível ontem após o sorteio da Copa América, estando entre os cerca de cem jornalistas que aguardavam o comandante da Seleção.

Mas foi possível com o treinador adversário da estreia do Brasil na Copa América.

E acabou sendo perceptível que não há grande medo por parte dos bolivianos.

O mundo realmente mudou.

Eduardo Villegas, comandante da Bolívia, deu algumas respostas para os que se acotovelavam na pequena zona mista.

Entre elas, a mais interessante foi quando acabou confrontado. Um repórter disse que a Bolívia não tinha mais jogadores como Etcheverry.

"No mesmo nível (do Etcheverry)... acho que nem o Brasil tem um Zico", ironizou.

Lembrado sobre Neymar, ele que gosta do jogo coletivo, disfarçou.

"Ele (Neymar) é distinto, tem muita categoria, mas bem... É um jogo diferente."

Deixou claro que prefere o jogo coletivo de Zico ao individualismo de Neymar.

Quando ele se animava, veio o aviso que o treinador brasileiro se aproximava.

E Villegas saiu do foco.

Ficou dez metros longe da alcatéia de repórteres.

Foi possível se aproximar e conseguir uma curta, mas significativa entrevista exclusiva.

Você acredita ser possível uma vitória da Bolívia na estreia da Copa América, justo contra o Brasil?

O meu grupo é jovem e eu acredito nele. Nas Eliminatórias, a Bolívia empatou com a Seleção Brasileira, na década de 80. (Mais precisamente, em 1985, 1 a 1, em pleno Morumbi, onde os dois times vão se enfrentar na abertura desta Copa América). E até vencemos o Brasil nas Eliminatórias para a Copa de 1994. Ganhamos em 1993, por 2 a 0, em La Paz. No futebol é tudo possível. A Bolívia tem novos jogadores. Eles são muito determinados. Com certeza estarão empolgados com essa estreia na Copa América. Vão dar o máximo contra o Brasil.

O que você acha da atual geração do Brasil?

Muito boa, com vários jogadores com grande potencial. Mas acredito que está acontecendo algo muito ruim para todas as seleções sul-americanas, inclusive com o Brasil. A falta de intercâmbio, faltam jogos contra os europeus. E isso vem à tona na Copa do Mundo. Na queda do Brasil contra a Bélgica. O calendário precisa ser adequado. A Copa América precisa acontecer ao mesmo tempo que o Campeonato Europeu. Para que sejam possíveis os jogos amistosos entre os dois continentes. É claro que eles estão fazendo muita falta.

O Brasil tem a obrigação de vencer a Bolívia. Isso é bom para o seu time?

Lógico que a cobrança será toda da Seleção Brasileira. Pela história, por jogar em casa. O Brasil como um dos maiores sempre será cobrado em qualquer competição. Ainda mais quando a organiza, diante dos brasileiros. Esse é um fator que ninguém pode esquecer. Nós respeitaremos o potencial brasileiro. Mas não mostraremos medo. Confio no meu grupo de jovens, repito.

Mas as chances da Bolívia na competição? Não melhoram com os boatos de que o Peru virá com time reserva?

Isso ninguém pode afirmar agora. O que posso te dizer é que hoje em dia há a possibilidade de montar um time competitivo e enfrentar uma equipe até com melhor potencial. Nosso grupo é jovem e interessante. Tenho confiança nele. Sabendo que pode ir além. E é assim que iremos trabalhar para esta Copa América. Todas as equipes estão em formação depois da Copa do Mundo. Acredito que neste momento, todos estão ainda buscando sua melhor equipe. O que deixa tudo mais equilibrado.

Você falou sobre o Neymar e sobre o Zico. E parece que prefere o estilo de Zico.

Eles são grandes jogadores. Mas muito diferentes. Eu acompanhei mais de perto o Zico. E sei o quanto ele foi importante para o Brasil. O Neymar, como disse, atua de maneira diferente do que fazia o Zico. É uma questão de característica. Eu fui jogador e sei o que o Zico fazia.

A Bolívia atual é formada por jovens. Essa inexperiência vai facilitar as coisas para o Brasil?

Muitas vezes os jovens são muito mais perigosos do que os atletas experientes. O Brasil não terá facilidade no jogo de estreia da Copa América. A Bolivia vira motivada. E pronto para esse importante jogo. Será um privilégio abrir a Copa América, ainda mais contra um adversário histórico como o Brasil. Mas a Bolívia fará de tudo para aproveitar toda a atenção que esta partida despertará.

R7